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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

HOJE


         HOJE

         O que há além do momento,
         Há tempo além de agora?
         Essa hora é tão grande...
         Tão plena!
         Eu vivo tudo:
         Sonhos
         Dúvidas
         Realizo
         Digo
         Nego

         Nego-me a pensar no depois,
         A fazer depois,
         A querer depois!
         Mas o que farei então?
         Não sei...
         Eu sempre faço,
         Eu só faço!
         Quando acordo é sempre hoje.
         Deixo que meu pensamento adeje,
         Pois eu velejo
         Sobre um mar de interrogações...
         E, num barco teimoso,
         Teimo a viver sem temer!
         Se viver for pergunta,
         Respondo agora
         - Com outra pergunta, quiçá...
         Mas sempre agora!
         Até posso pensar no amanhã,
         Mas viver...
         Ah! Isso eu faço hoje,
         Somente hoje!

         Ivone Alves Sol

domingo, 11 de setembro de 2011

DESCONTENTAMENTO




DESCONTENTAMENTO

Eu queria falar das coisas sem falar de mim.
Falar deste céu azul, que avisto da janela,
Sem tingi-lo com as cinzas dos meus olhos.
Oscular a madrugada que me sentinela,
Sem conspurcá-la com os meus remorsos.

Eu queria saber as coisas sem saber de mim.
Saber que o amor tem dimensões infinitas,
Sem saber que em mim, o infindo é lacônico.
Que a vida deve ser, a todo instante, erigida,
E ignorar que morro na demolição dos sonhos.

Eu queria sentir as coisas sem sentir a mim.
Sentir essa brisa que adentra meu quarto,
Sem sentir o vazio que enche minha alma.
O calor oriundo de um abraço apertado
Sem sentir esse aperto que me tira a calma.

Eu queria viver nas coisas sem viver em mim.
Viver nesse Mar de ilusão que me é tão real,
Sem viver a literalidade desse eu induzido,
Assistido por mim, sem ser compreendido...
Ignorar essa vida pronta a qual não comecei.

Ivone Alves SOL 



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

EFEMERIDADE

EFEMERIDADE

Eu que nunca me soube
E vivi do que me coube estar
Vejo-me no emaranhar de cores
Por meus refletores ao desligar

E com as pálpebras cerradas
E mente dobrada nos ombros
Quebro-me no estrondo das travas
E solto lavas em meus tombos

Espalho sonhos nos mananciais
Liberto os ais de minha garganta
E de minhas tantas uma se desfaz
Por não viver mais de lembranças

Quero-me criança crescida
Nas divisas de um viver
Sem ter pontos de partida
Apenas pistas a percorrer

Porque me saber é efêmero
E, se me tenho, é tão pouco
Vivo entorno de um tempo
De entendimento absorto

Ivone Alves Sol


terça-feira, 2 de agosto de 2011

MEU ANIVERSÁRIO

Mais um ano enSOLarado!

Eu vi os anos passarem
Primaveras mudarem de cor
Vi o pintor brincar com a arte
Na tela da face que mudou

Eu vi o sol abrir o céu
Vergel em nuvens brancas
Vi os barcos de papel
Remarem minha criança

Eu vi tantas vistas
Tantas pistas de esperança
Vi artimanhas embutidas
Num canto da lembrança

Eu vi a dança do vento
No tempo que passou
E o que restou dos momentos
Que a vida expirou

Eu vi o tempo esvair
Ao perseguir aos sonhos
Vi o tamanho do porvir
E seguir os anos

E assim passara o tempo
Levando os momentos e me deixando
Ficando eu sigo vivendo
E a vida me espiando

Ivone Alves Sol

De mim para mim em meu aniversário.
Estive em tudo que vivi, até quando não vi, atrás das nuvens...
Sol
Uma de minhas músicas especiais....



segunda-feira, 2 de maio de 2011

NUA



Nua

Hoje me despi do estar para ser eu.
Espantei-me, ao me vê como sou...
Faz tanto tempo que me cubro de alacridade,
Que nem percebi as quimeras em meu sorriso.
Era tanta felicidade tingida de anil,
Tantas verdades criadas de vento!
Hoje, ao relento, o chão se abriu...
Virei rio de semi-árido entre pedras e gravetos,
Que leva o mato seco – e seca-se!
Suspiro gotas de Mar, e hiberno.
Por que meu corpo é suor
E meus olhos, oceano.
Hoje eu não me engano...
Profano os deuses que me iludiram
-Todos sumiram!
Fiquei só, com tantas de mim...
Ah, eu não sabia que eu era assim!
Por tanto tempo eu relutei me saber,
Quantas vezes eu me vi sem me crer...
Hoje estou nua,
Rasguei a utopia,
Laqueei as asas...
Mas a realidade é dura
E dói,
A verdade é turva
E corrói...
Não aprendi a ser – sem nós.
Desaprendi a viver no singular,
Não sei andar em caminho de uma mão...
Estou no chão sem saber onde pisar,
Não tenho lugar fora da ilusão!

Ivone Alves Sol