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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

HOJE


         HOJE

         O que há além do momento,
         Há tempo além de agora?
         Essa hora é tão grande...
         Tão plena!
         Eu vivo tudo:
         Sonhos
         Dúvidas
         Realizo
         Digo
         Nego

         Nego-me a pensar no depois,
         A fazer depois,
         A querer depois!
         Mas o que farei então?
         Não sei...
         Eu sempre faço,
         Eu só faço!
         Quando acordo é sempre hoje.
         Deixo que meu pensamento adeje,
         Pois eu velejo
         Sobre um mar de interrogações...
         E, num barco teimoso,
         Teimo a viver sem temer!
         Se viver for pergunta,
         Respondo agora
         - Com outra pergunta, quiçá...
         Mas sempre agora!
         Até posso pensar no amanhã,
         Mas viver...
         Ah! Isso eu faço hoje,
         Somente hoje!

         Ivone Alves Sol

sábado, 26 de novembro de 2011

LACONISMO


                                                                                                                                Imagem do Google

LACONISMO

Eu ainda beijava
Quando os rostos se apartaram
Ficaram as flamas no corpo
E um pensamento absorto no quarto
Um quarto do tempo é tão pouco
Um porto é um espaço pequeno
Pr’um momento em que sonho
É do tamanho do tempo

Ivone Alves Sol





sexta-feira, 12 de agosto de 2011

EFEMERIDADE

EFEMERIDADE

Eu que nunca me soube
E vivi do que me coube estar
Vejo-me no emaranhar de cores
Por meus refletores ao desligar

E com as pálpebras cerradas
E mente dobrada nos ombros
Quebro-me no estrondo das travas
E solto lavas em meus tombos

Espalho sonhos nos mananciais
Liberto os ais de minha garganta
E de minhas tantas uma se desfaz
Por não viver mais de lembranças

Quero-me criança crescida
Nas divisas de um viver
Sem ter pontos de partida
Apenas pistas a percorrer

Porque me saber é efêmero
E, se me tenho, é tão pouco
Vivo entorno de um tempo
De entendimento absorto

Ivone Alves Sol


segunda-feira, 23 de maio de 2011

(RE)INVENTANDO



(RE)INVENTANDO
 
Não sei se o que sinto é sentimento
Ou se é o pensamento me açulando
Às vezes sinto que sou o que invento
E até meu pensamento sou eu estando

Estando, eu não preciso ser
Viver é chuva de vento
Corre ao relento e no decorrer
Fica a mercê de um gesto do tempo

Reinvento-me nas sombras retidas
D'uma efígie distorcida feita de ar
Teço-me com fios de brisa
É minha sina refazer meu estar

Ivone Alves Sol