domingo, 2 de dezembro de 2012

SEM CARDINALIDADE


Para Miriam Sales, pela passagem de seu aniversário.

Somente do tempo tu precisas
E tem que ser um tempo longo
Sem cardinalidade, sem divisa
Um tempo que caiba teu tamanho

Um tempo em que somente os anos passem
Na vida que nasce em tuas manhãs perenes
E que no suspense de cada dia que se abre
Os céus te abracem de forma fulgente

Pois ser gente tu sabes
E não te cabe outro ser
Basta viver em todas as fases
Aquilo que vale a pena viver

Ivone Alves Sol

Miriam, a ti todo o nosso carinho e gratidão, por tudo que representas em nossa vida! Um abraço enSOLarado de sua filha de coração e do amigo  que te gosta muito,  Sol e Almir





terça-feira, 27 de novembro de 2012

INSTINTIVO


 

INSTINTIVO
 
Do quanto eu te amo
Eu nunca hei de saber
Nunca aprendi a amar
Mas talvez saiba viver
 
O amor eu apenas sinto
E me basta senti-lo
Viver é um labirinto
Mas amar é instintivo
 
Não saber o quanto te amo
É não limitar o meu sentir
É intuir que só precisamos
D’um tanto de mim... e de ti
 
Ivone Alves Sol

Para quem é um tanto infinito de mim...

 
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

POR AÍ


 

POR AÍ

 

Quantos de mim há por aí,

Vivendo em outros que nunca vi...

Trazendo pra mim o que não pedi...

Ou vivendo o que eu não vivi

 
Eu gosto de mim em ti...

 
Sou um avesso direito...

O acme de um poema imperfeito

Versão inversa das promessas que não fiz

O requinte burilado de um aprendiz

 
Eu gosto de ti em mim...

 
Açulando sutilmente meu querer

Pelo que eu não quero

Pelo que me entrego sem saber

Pelo que renego para ter
 

Quantos de nós estamos perdidos

Em mim... Em ti...

Como faróis ofuscados

Em céu estrelado sem luzir

 

Ivone Alves Sol

 
 

quarta-feira, 14 de março de 2012

DIA DA POESIA



 POESIANDO

Na voz de Castro Alves
O clamor da liberdade
O Pessoa a usou
Pra confundir a realidade
Às vezes um tanto insana
Nos poemas do Quintana
O Vinícius lhe deu o tom
Do infinito até o fim
Suas cores estão nos sons
Das letras do Jobim!

Sigo eu poesiando
O que a alma processa
Muitas vezes calado
Meu coração se expressa
Descanso em versos mansos
Minhas inquietudes e nostalgias...
Essência revelada em poemas
E sentida em poesias!

Ivone Alves Sol

POESIA

Afeiçôo-me dessa arte que me cria
Que me inventa da lágrima solitária
Que, sem expressão, obsta a homília
E, diz-me viva, numa tumba minada

Posto que eu seja a arte do que crio
Pois a vida vive à parte – e parte
Enquanto a olho sem vê-la – arredio
Da poesia que em meu túmulo nasce

Suscito nos versos que crescem
E dão corpo a minh’alma esguia
Visto que neles a vida acontece
E, eu só existo, quando em poesia

Ivone Alves Sol

 
          A poesia é comemorada no dia14 de março, em homenagem ao grande poeta baiano, Antônio Frederico de Castro Alves, pois esta é a data de seu aniversário.

         Considerado o poeta dos escravos, por sua atuação em prol da abolição, Castro Alves faz jus a todas as homenagens. Sua poesia é questionadora, libertária e de grande cunho social. Navio Negreiro é sua obra de maior repercussão.

        A pesar de a poesia estar presente em nossas vidas todos os dias, seja por meio de poemas, canções ou imagens, essa data é especial, pois nos oportuniza a explorar esse campo da literatura, que emociona e diverte.

Parabéns a todos que fazem e que sentem a poesia!
Salve, salve!  Castro Alves!!!


       


domingo, 29 de janeiro de 2012

INSTANTE VERDE


INSTANTE VERDE

Sorriso aberto
E um gesto incerto de ser
Mas se chover no deserto
O verde é desperto no que eu ver

Tenho um querer e uma fonte
Distante, mas eu posso ter
O que vou fazer não me aponte
Eu não sei onde nem quero saber

Quero viver o instante
Adiante é longe demais
O que se faz não é o bastante
É relevante, mas se desfaz

Eu quero mais, e mais
Mas, nesse instante
Nem adiante, nem atrás

Ivone Alves Sol


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

DEUSA DA NOITE



DEUSA DA NOITE

Tragam-me as chaves da noite
Quero os céus abertos – todos
Soltem os deuses de sua corte
Encerrem os louvores do povo

Movam os tronos de lugares
Porei novos alteres em cada um
Trocarei os jejuns por manjares
Desses de bares comuns

Sirvam-nos de rum e charutos
Refuto as pitadas da razão
Não me atenho ao que escuto
Desfruto da minha visão

E se for perdição não é pecado
Os deuses do meu lado estão
Depois voltarão galhardeados
E de chaves não precisarão

Ivone Alves Sol

sábado, 21 de janeiro de 2012


FOTOGRAFIA DE UM MOMENTO


O dia esvai no tilintar das horas,
São sonoras as cores que o encerra.
Descerra a cortina que o decora
-Vida notória numa aquarela.

Ah, como é bela a dança do ocaso!
Esse passo leve do vento...
Movimentos suaves – e raros!
Um abraço entre a vida e o tempo.

Momentos eternos não demoram,
- São sempre agora, a alacridades!
A efemeridade de uma hora,
Não leva embora a nossa vontade...

De viver outros momentos,
De fazer outros momentos...
Como agora!

Ivone Alves Sol

Poema inspirado nessa belíssima imagem, fotografada pelo meu amigo de Matola – Moçambique, Zeca Ribeiro. Um presente para guardar em minha galeria e em meu coração. Obrigada, Zeca!
 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

HOJE


         HOJE

         O que há além do momento,
         Há tempo além de agora?
         Essa hora é tão grande...
         Tão plena!
         Eu vivo tudo:
         Sonhos
         Dúvidas
         Realizo
         Digo
         Nego

         Nego-me a pensar no depois,
         A fazer depois,
         A querer depois!
         Mas o que farei então?
         Não sei...
         Eu sempre faço,
         Eu só faço!
         Quando acordo é sempre hoje.
         Deixo que meu pensamento adeje,
         Pois eu velejo
         Sobre um mar de interrogações...
         E, num barco teimoso,
         Teimo a viver sem temer!
         Se viver for pergunta,
         Respondo agora
         - Com outra pergunta, quiçá...
         Mas sempre agora!
         Até posso pensar no amanhã,
         Mas viver...
         Ah! Isso eu faço hoje,
         Somente hoje!

         Ivone Alves Sol

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

TEMPERATURA (letra de música)



TEMPERATURA (letra de música)


Deixe-me sentir
Esse calor que me tosta a pele
Insere em meu corpo o que intuir
Vem me esculpir, me reveste


Faça um teste de temperatura
Diz se atura o meu calor
Não seria amor se não fosse loucura
Minha ternura é feito vapor


Deixa-me compor em teu peito
Os efeitos começam a pintar
Vem dançar sobre o nosso leito
O que está feito não dá pra mudar


E se terminar recomece
Gosto dessa febre em teu olhar
De esse falar feito prece
Aquece-me, que eu viro altar


Ivone Alves Sol


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ESTRADA (letra de música)



ESTRADA

Cansar-me de que
O fazer é a dança do tempo
Reinvento, me invento sem saber
Os porquês são manobras do vento

A contento me vou
Foi o chão que ficou no entroncamento
Meu movimento mudou
Sou d’um lado amor e d’outro o que penso

E quando penso sou mais eu
Eu estou no que vivo
Se for preciso viro ateu
Ou sou o deus que acredito

Gosto do grito que expirou
No vapor da madrugada
Desse nada que ficou
Onde eu vou fazer estrada

Ivone Alves Sol

        Perfeita a composição poética.A métrica perfeita para que quem musicar tenha a facilidade de colocar nos tons o elemento preciso em termos de harmonia e melodia.Parabéns e que faça sucesso para que o mercado fonográfico exercite com o que é belo e terno os ouvidos das pessoas.
Beijos.Feliz sábado querida

Do escritor Cezar Ubaldo, por e-mail.



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

SENTIMENTO ATROZ



SENTIMENTO ATROZ

Tudo em mim é você vivendo
Não me avisto sendo se me olho
Não é mais notório o que pretendo
Eu não me compreendo no que mostro

Prostro-me ao teu sorriso
Um risco verde entre os lábios
Não me enlaço e nem sigo
Não tenho abrigo em teus braços

Embaraço em meus gritos
Proferidos sem voz
Em prol de estar contigo
Eu arrisco ser nós

É atroz esse sentir
O querer ir sem ter onde
Essa ponte a abluir
Sob os meus olhos vazantes

Ivone Alves Sol